Experiência assustadora vivida por influencer serve de alerta a todo turista LGBTQIAPN+

23 out 2026 - 08h50

(atualizado às 08h50)

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- Por: Jeff Benício

A culpa pela homofobia ou transfobia não é da vítima, e sim de quem discrimina, obviamente. Dito isto, o caso de Malévola Alves merece uma contextualização.

A influenciadora trans foi presa no Egito. Afirma ter sido constrangida em público e humilhada na cadeia, inclusive com a ordem de ficar nua.

As notícias que chegam de lá indicam que a polícia agiu após denúncias por comportamento inadequado. Leia-se: poses sensuais para fotos e vídeos nas ruas e em pontos turísticos.

O Egito é um país de maioria muçulmana, tem o islã como religião oficial e estabelece os princípios da sharia como principal fonte de legislação.

Sharia (caminho a seguir, em árabe) é um conjunto de princípios e orientações de caráter religioso e moral. Na tradição islâmica, orienta a vida dos muçulmanos.

As normais legais egípcias permitem punir determinadas condutas consideradas obscenas ou ofensivas à moral pública, independentemente do gênero e da orientação sexual da pessoa.

Tudo indica ter sido o caso de Malévola e sua amiga, Bruna, também detida. Por sorte, elas foram libertadas, provavelmente pela repercussão no Brasil que expôs as autoridades locais.

O Egito tem um histórico complicado de opressão a pessoas LGBTQIAPN+. A ativista trans Malak al-Kashef foi presa e ficou em uma unidade masculina por quatro meses.

Outra militante da causa, Sarah Hegazy, permaneceu detida por quase cem dias apenas por levantar uma bandeira do arco-íris em um show de rock. Após recuperar a liberdade, se exilou no Canadá e tirou a própria vida por aparente estresse pós-traumático.

Um dos casos com maior repercussão internacional aconteceu em 2001, quando a polícia invadiu uma boate e prendeu cerca de cinquenta homens gays. Eles foram julgados e condenados por “libertinagem”.
Turistas LGBTQIAPN+ precisam pesquisar com atenção a legislação e as condições de segurança do destino antes de viajar. Um simples gesto de carinho ou uma ‘lacração’ para uma selfie podem resultar em um pesadelo.
Para Malévola, o lamentável episódio teve um bônus: sua fama furou a bolha da internet e chegou a gente que nunca tinha ouvido falar dela.
Mais do que nunca, seu nome passa a ser considerado para futuros reality shows na TV, como o público das redes sociais tanto pede.
Malévola diante de uma pirâmide no Cairo: LGBTs podem ser hostilizados em certos países
Foto: Reprodução
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