🥶 Você também aperta o botão até chegar no 18?

Esse hábito parece lógico, mas o frio não chega mais cedo e a cobrança chega junto com a fatura. ⬇️

Você entra na sala abafada, pega o controle e vai direto para 18 °C. Quase todo mundo faz isso, e quase todo mundo espera o frio chegar na hora. Só que o ar-condicionado não tem marcha de frio: o número no visor é a meta do aparelho, não a velocidade dele. É por isso que o recado dos profissionais de manutenção se repete a cada verão.

Por que 18 °C não faz o ambiente gelar mais rápido?

Porque o termostato funciona como um alvo, não como um acelerador. O ar que sai do aparelho tem praticamente a mesma temperatura em qualquer ajuste. Muda só o ponto em que o equipamento resolve descansar. A fabricante Daikin confirma o ponto na página do split Hi Wall Full Inverter: 18 °C não esfria mais rápido e só eleva o consumo.

Na prática, a sala demora quase o mesmo tempo para chegar ao conforto de 23 °C, seja qual for o número digitado. A diferença aparece depois. Quem escolheu 18 °C obriga o ar-condicionado a perseguir um frio que o ambiente dificilmente atinge, e o aparelho não para.

Existe ainda a armadilha do vai e vem. Quem sente frio demais desliga o aparelho e, minutos depois, liga de novo com outro ajuste. Esse sobe e desce de temperatura costuma gastar mais do que manter um valor estável desde o início.

O alerta do técnico sobre o ar-condicionado no verão - Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Como o compressor transforma esse frio extra em gasto?

Ele passa mais horas ligado, e o tempo de uso é justamente o que pesa na conta de luz. O compressor é a peça que mais puxa energia dentro do aparelho, então cada hora extra de esforço aparece na fatura.

O engenheiro de Eficiência Energética da Cemig, Welhiton Adriano de Castro Silva, explica que o consumo depende de duas variáveis. São elas a potência do equipamento, em watts, e o tempo de uso, em horas.

Esse esforço extra também cobra o preço da máquina. Um compressor que trabalha sem pausa se desgasta mais rápido e tende a pedir manutenção antes do esperado.

Para enxergar o efeito dessa regra no dia a dia, compare três situações comuns. Cada uma muda o esforço do split de um jeito diferente.

⚙️ Três situações, três níveis de esforço do aparelho

🥶 Termostato em 18 °C

Meta distante da realidade da sala. O compressor segue ligado por mais tempo e a conta de luz acompanha.

🌡️ Termostato em 23 °C

Temperatura de conforto térmico indicada pelo engenheiro de eficiência energética da Cemig.

🚪 Portas e janelas abertas

O ar frio escapa e o aparelho passa a usar a máxima potência para tentar resfriar tudo.

Fonte: orientações da Cemig, divulgadas pela Agência Minas durante a onda de calor.

Qual ajuste equilibra conforto e economia no dia a dia?

A faixa de 23 °C é a que a Cemig indica como temperatura de conforto térmico para o ar-condicionado. Chegar a ele com rapidez depende menos do número no controle e mais de cinco cuidados simples.

- Feche portas e janelas antes de ligar, para o ar frio não escapar.

- Mantenha cortinas e persianas fechadas, já que o sol direto esquenta o ambiente.

- Ajuste o termostato em 23 °C e deixe assim, sem subir e descer a temperatura toda hora.

- Use um ventilador de teto para espalhar o ar frio e reduzir a sensação de calor.

- Escolha modelos com selo Procel, que indicam equipamentos mais eficientes.

Com esses cuidados, o ambiente chega a 23 °C sem sufoco. A partir daí, o aparelho apenas mantém a temperatura, e o conforto convive bem com o orçamento. Quem dorme com o ar ligado ainda pode usar a função Sleep, que eleva a temperatura aos poucos durante a noite.

Quando vale chamar um técnico para revisar o aparelho?

Vale chamar quando o aparelho não gela nem em 23 °C ou quando a conta de luz sobe sem mudança de hábito. Nesses casos, o problema raramente está no controle remoto, então observe estes sinais antes de baixar a temperatura outra vez.

- Ar morno ou pouco frio, mesmo com o termostato em 23 °C.

- Barulhos fortes ou vibração fora do normal no equipamento.

- Água pingando dentro de casa pela unidade interna.

- Filtros muito sujos, que atrapalham a circulação do ar.

- Conta de luz em alta sem mudança na rotina de uso.

Uma revisão periódica prolonga a vida útil do equipamento e evita gasto desnecessário.

Vale trocar o hábito do 18 °C ainda hoje?

Vale, e o primeiro passo cabe em um toque no controle remoto. Com um ajuste moderado, o ar-condicionado chega ao conforto do mesmo jeito, o compressor descansa mais cedo e a conta de luz agradece no fim do mês. Que tal testar hoje à noite e sentir a diferença no conforto e, depois, na fatura?