Pareiorhaphis mutuca é uma espécie da família Loricariidae e do gênero Pareiorhaphis.

Taxonomia Pareiorhaphis mutuca foi descrita formalmente pela primeira vez em 1999 como Hemipsilichthys mutuca pelos ictiólogos brasileiros José Carlos de Oliveira e Osvaldo Takeshi Oyakawa, tendo como localidade-tipo a drenagem do rio das Velhas, no município de Nova Lima, no córrego Mutuca, à direita da estrada de Belo Horizonte para Nova Lima, no quilômetro 20, aproximadamente em 20°60'S, 43°55'W. Após a descrição da espécie, verificou-se que Hemipsilichthys sensu stricto, composto por três espécies, representava um grupo basal de loricarídeos, enquanto as demais espécies estavam inseridas dentro da diversidade da família. Assim, o gênero Pareiorhaphis foi restabelecido, deixando de ser considerado sinônimo de Hemipsilichthys para todas as espécies, exceto aquelas três. O Catalog of Fishes de William N. Eschmeyer classifica o gênero Pareiorhaphis na subfamília Hypoptopomatinae, os cascudinhos, dentro da família Loricariidae.

Etimologia Pareiorhaphis mutuca pertence ao gênero Pareiorhaphis, cujo nome é uma combinação de pareio, derivado de pareiá, que significa “bochecha” em grego, e rhaphis, que significa “agulha”. O nome faz referência aos odontódeos hipertrofiados em forma de agulha presentes nas bochechas dos machos durante o período reprodutivo. O epíteto específico mutuca refere-se à localidade-tipo da espécie, o córrego Mutuca.

Descrição Pareiorhaphis mutuca possui 7 raios moles na nadadeira dorsal e 6 na nadadeira anal. Esta espécie pode ser diferenciada das demais espécies de Pareiorhaphis pela forma e tamanho do cleitro e pelo padrão dos odontódeos hipertrofiados na lateral da cabeça, que são mais longos posteriormente e voltados para trás. Este bagre apresenta corpo alongado e atinge um comprimento padrão de 10,2 cm.

Distribuição e habitat Pareiorhaphis mutuca era anteriormente conhecida apenas de sua localidade-tipo, mas a população desse local tornou-se localmente extinta. No entanto, novas populações foram registradas no município de Caeté, no córrego Prata, afluente da margem direita do rio das Velhas, e no córrego Maquiné, afluente da margem direita do córrego Prata, ambos pertencentes à bacia do rio das Velhas e ao sistema de drenagem do rio São Francisco. Este bagre ocorre em trechos rochosos e pedregosos de rios, escondendo-se sob pedras e em fendas durante o dia, embora permaneça ativo ao longo de todo o período diurno.

Estado de conservação Pareiorhaphis mutuca está classificada como “Em Perigo” pela União Internacional para a Conservação da Natureza devido à sua distribuição restrita em Minas Gerais, à extirpação da população da localidade-tipo e ao fato de ser conhecida apenas de outras duas localidades, onde as mesmas pressões relacionadas à mineração que afetaram a localidade-tipo também estão presentes.

Referências

Ligações externas Documentos sobre Pareiorhaphis mutuca na Biodiversity Heritage Library Observações de Pareiorhaphis mutuca no iNaturalist Pareiorhaphis mutuca no GBIF